Brasil, mercado internacional
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Gianni Versace
Os brasileiros vão bem, mas o que dominou o comércio paulista em 97 foi sua consolidação como mercado internacional. O francês Christian Lacroix mostrou um raro desfile de alta-costura em São Paulo, poucos meses antes da abertura de sua butique nos Jardins. Como ele, grandes nomes internacionais jogaram a âncora estabelecendo suas lojas na cidade: Emporio Armani, DKNY, Kenzo, Thierry Mugler, Ermenegildo Zegna e outros tantos. Estava indo tudo muito bem até que a bolsa caiu e o real reagiu. Agora, o mercado aguarda cauteloso o balanço das vendas de Natal e os principais estilistas brasileiros se preparam para o próximo MorumbiFashion que começa dia 10 de fevereiro. Estabelecido como calendário de lançamento de coleções, o Morumbi chega ao seu segundo ano – e tomara que tenha vida longa. Prova de que deu certo são as suas versões criadas no Rio, Belo Horizonte e Salvador, movimentando os profissionais.
Na moda globalizada, alguns brasileiros também conquistaram terreno no exterior. Em Londres, a simpática Library está vendendo Alexandre Herchcovitch (também disponível na Patricia Fields de Nova York). Reinaldo Lourenço, G e Lorenzo Merlino engataram contatos na capital inglesa. Em Nova York, Serpui Marie vende suas bolsas há 5 anos e este ano chegou à Europa e Japão. Também em NY, a Forum acaba de abrir um show-room para oferecer a marca Tufi Duek ao mercado norte-americano e os biquínis Rosa Chá seguem o mesmo caminho.
No vestuário, vimos o salto (stiletto ou plataforma) subir na proporção das saias (mínis e fendadas). As ombreiras voltaram dando o toque anos 80. Os brilhos e bordados trocaram a noite pelo dia deixando tudo mais glitter. O sportswear subiu na passarela: tênis com longos e ternos, roupas de aeróbica e ciclista sob vestidos transparentes. As jóias, sumidas há anos do mundo fashion, voltaram reluzentes e poderosas. E os tecidos surpreenderam mais uma vez, graças aos avanços da tecnologia que mistura todas as fibras em busca de conforto.
Lá fora, a alta-costura despertou como a Bela Adormecida, recuperando seu espaço como laboratório de idéias capaz de superar e suprir o prêt-à-porter. Revigorada, virou notícia com a nova geração. Casas tradicionais estrearam com estilistas de vanguarda: John Galliano para Dior, Alexander McQueen para Givenchy, além de Gaultier e Mugler. Os ingleses dominaram a cena. Tudo estava lindo até que numa manhã de julho, dez dias após seu desfile de alta-costura em Paris, o estilista italiano Gianni Versace é assassinado em frente à sua casa em Miami, marcando o fim da era pop fashion. Além desta, duas outras tragédias abalaram o mundo da moda. Em fevereiro, a morte do fotógrafo Davide Sorrenti (aos 20 anos por overdose) detonou o fim da estética chamada heroína chic enquanto a morte de Diana (no fatal acidente de carro) deixou a lição de que a elegância é possível mesmo sem majestade.
Lilian Pacce para O Estado de S. Paulo
Um século de pernas
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Uma das partes mais sensuais do corpo humano acaba de virar tema de uma antologia iconográfica lançada nos Estados Unidos. O livro “Leg” (Perna) comemora dez anos da grife Donna Karan como fabricante de meias e reúne imagens registradas por 124 artistas, a maioria fotógrafos, nos últimos cem anos: do erotismo de E. J. Bellocq no começo do século a novíssimos nomes da fotografia fashion como Carter Smith, das pernas de borracha da escultora Louise Bourgeois à pintura de Egon Schiele.
Rico em imagens, o livro é carente de simbologias e significados que perseguem as pernas e preenchem as fantasias. As informações se restringem à visão da Donna Karan, que assina o prefácio: “A moda sempre foi obcecada por pernas. Como estilista, a perna é meu desafio, o ponto de partida de cada coleção. Quando decido o que fazer com ela, sei onde vou com o resto”. Isto é, a partir daí Karan define em que ritmo a bainha de suas saias vai dançar, quais os volumes e proporções, qual a cara que sua mulher vai ter na próxima estação.
MEIA PRETA – Quando abriu sua empresa, Karan exigiu que todo provador tivesse um par de meias pretas: “Ao colocá-las, a mulher se sente bem com suas pernas e pode experimentar qualquer roupa”, conta. Não é por acaso que ela tem insistido em oferecer à mulher a meia perfeita para qualquer ocasião. Dez anos atrás, desde que lançou sua primeira meia em parceria com a Hanes (marca que teve a cantora Tina Turner como garota-propaganda), Karan vem se aperfeiçoando: o modelo Nude, por exemplo, cria de fato a ilusão da perna nua enquanto Evolution, o mais novo, molda a perna de tal maneira que ela de fato parece a mais linda do mundo. “Dê à mulher a ilusão da perfeição. Você terá lhe dado confiança em sua sensualidade”, garante esta americana que há 30 anos trabalha como estilista.
Com “Leg”, Karan pretende mostrar as inúmeras expressões que a perna pode assumir: “Maternal – pense numa criança agarrando a perna da mãe. Sexual – a perna da mulher que envolve com sensualidade o homem. De liberdade – pernas nadando no oceano. De força e disciplina – a perna do atleta: cada tendão, cada músculo fala de uma intensa devoção.” Assim, o livro traz a perna sensual por Raymond Meier, a perna-fetiche por Helmut Newton, a perna que sustenta (de Jackie Kersee por Herb Ritts, 1987), a perna-gelo de David LaChapelle para a Chanel, a perna que assusta de Weegee (1943), a perna distorcida de André Kertész (1933), as pernas hábeis e sedutoras das garotas do Follies Bergères, em Paris, ou das Rockettes do Radio City Music Hall, em Nova York.
Alguns mitos de Hollywood ganham o devido crédito como Cyd Charisse, Marlene Dietrich, Marylin Monroe, Rachel Welch, Sophia Loren e Liza Minelli. Mas cabem também drag queens, como Divine e Ru Paul, bailarinas como Josephine Baker e Martha Graham, e até flagrantes anônimos como o bebê do fotógrafo Hiro ou a menininha que brinca de Marilyn Monroe. Das top models, a alemã Nadja Auermann e a americana Shalom Harlow são as mais contempladas com suas pernas quilométricas que não acabam nunca. Cindy Crawford aparece na antológica foto em que “barbeia” a cantora K.D. Lang e, estranhamente, as pernas de Naomi Campbell, consideradas as mais perfeitas do circuito Elizabeth Arden, não constam em nenhum registro. Em São Paulo, o livro pode ser encomendado na Toc na Cuca, tel. 852-2030.
Lilian Pacce para O Estado de S. Paulo



