24.08.1998 às 4:47

Shirley Mallmann é estrela da Chanel

Estrela da nova campanha do perfume Allure, da Chanel, a bem-sucedida modelo brasileira está feliz porque voltou a ser o que era antes de se revelar para o mundo da moda internacional. “Pela primeira vez desde que virei modelo estou sendo eu mesma”, afirma Shirley Mallmann, 21 anos. A razão da mudança tem nome: Zaiya, um cabeleireiro filho de pai burmês e mãe alemã, com quem namora há seis meses. “Ele é aberto, tem uma vida muito parecida com a minha e deixa eu me vestir como eu quiser, assim, meio doidinha, do jeito que eu era antes.” É verdade. Durante esta entrevista, Shirley usava um vestido vermelho do belga Dries Van Noten, seu estilista preferido, num look hippie-chic que, mesmo antes de virar tendência para o verão, já agradava a ela e às colegas supermodelos, loucas por um achado em brechó.

Apesar de o pai achar que ela parece uma cartomante vestida desse jeito, o look lhe cai bem e contrasta com as roupas mais sisudas que costumava usar, como calças e camisas clássicas. “Tentava me adaptar ao namorado, me sentia culpada por estar sempre viajando a trabalho e compensava a culpa tentando agradar ao máximo – todo mundo precisa dar suas cabeçadas para aprender; agora ele gosta de mim do jeito que eu sou”, acredita.

Até o semblante de Shirley revela traços de felicidade explícita. “Este namoro me dá uma sensação de liberdade que há muito tempo eu não tinha”, conta, negando os rumores de que a relação já estaria no fim. Durante quatro dias, ela esteve em São Paulo fotografando com André Schiliró o catálogo e a campanha publicitária da M. Officer, que a tem como garota-propaganda há cinco estações. Sempre disposta, deu dezenas de entrevistas e autógrafos e fez mais de 200 fotos com 24 looks diferentes. Sua maior realização, entretanto, foi propiciar a primeira viagem de avião aos pais, que vieram de Santa Clara do Sul para ver a filha que há seis meses não visitava o país.

Shirley gosta de vir ao Brasil. Pretende ter um negócio próprio aqui quando a carreira de top acabar. “Tenho sorte de estar há quase três anos num mercado que vive de rostos novos, mas eu me preparo para o futuro desde o dia em que comecei”. Enquanto isso, relaxa após um dia de trabalho com sessões de massagem em domicílio: à noite, depois de degustar um caseiro arroz com feijão e couve, Zaiya lhe aplica uma longa e relaxante massagem. “Adoro um cafuné”, diz.

Mas se Zaiya é liberal na roupa, é radical na comida. Vegetariano convicto, já está mudando os hábitos alimentares da gaúcha Shirley, fã de um bom churrasco: “Ele tem nojo, então não me sinto à vontade em comer carne quando estamos juntos.” Já o chocolate continua um vício em sua vida: “Quando trabalhava na fábrica costurando sapatos, eu comia um Charge todo dia, agora eu devoro aqueles bombons em forma de conchinha da Guylian”. Além de chocolate, ela adora fast food: pizza, hambúrguer, bagel com cream cheese. “Como muito em época de desfile mas não engordo”. E lembra da “pior fase” da sua vida: “Fiquei superdeprimida quando tive que largar minha família no sul para morar em São Paulo dividindo um apartamento com oito meninas do interior; vivia na maior dureza, ninguém tinha dinheiro nem para comer, rolava até roubo. Eu odiava aquela vida. Só saía de casa para comprar comida – com dinheiro emprestado da agência – e passava o dia assistindo TV”. Conclusão: pulou de seus ideais 56 kg para 64 kg. Nem seu 1,16 m de pernas suportou.

Ao mudar de agência, conheceu Gustavo Vicenzotto, sócio da agência Mega. Começaram a namorar. “Ele me tirou do buraco, fez com que eu me sentisse valorizada novamente; a mãe dele é minha 2ª mãe até hoje”. Nessa época Shirley explodiu na carreira de modelo. Contratada para estrelar o catálogo do inverno 96 da Forum, caiu nas graças da fotógrafa alemã Ellen von Unwerth, que a recomendou aos tops da moda em Nova York. E lá foi ela, sozinha e chorando com seu alemão fluente e inglês nulo, para sua primeira viagem internacional.

Quinze dias depois, estava nas passarelas de estilistas consagrados. Logo vieram editoriais para bíblias fashion como “Harper’s Bazaar”, “W” e todas as Vogues (América, França, Inglaterra etc.) e a capa para “Vogue” Itália, um de seus trabalhos mais marcantes ao lado da foto de Nick Knight para Alexander McQueen publicada pela The Face. E, claro, dezenas de campanhas publicitárias, daquelas que dão muito dinheiro, tipo US$ 100 mil por trabalho, e promovem fantásticas viagens pelo mundo.

O namoro com Gustavo não resistiu à distância. Shirley passou a sair com um vizinho americano e quase desistiu da carreira. “No começo, ele achou super-glamouroso e passou a viver a minha vida, indo a todos os trabalhos comigo ou me controlando pelo telefone; no final, a gente brigava de eu atirar o sapato na cara dele”. A pressão afetiva provocou danos quase irreparáveis em sua carreira. Shirley perdeu a vontade de trabalhar e assim perdeu também o brilho que a iluminava. Até que no Natal do ano passado ele a pediu em casamento com a condição que parasse de trabalhar. “Pela primeira vez comecei a pensar o que queria da minha vida e resolvi dar um basta.”

Uma semana depois estava em Paris, para a temporada de alta-costura, quando reencontrou Zaiya, seu colega de trabalho até então. “Ele é alegre, vive ouvindo música e falando besteira”. Com ele, descobriu que confiança é o principal ponto de uma relação, “depois vem sexo e afeto”. “Ele é homem num meio de bichas então as modelos dão em cima, mas eu tenho que confiar” diz. “Está tão gostoso que me sinto mais solta até na cama, tudo rola melhor”. Alheios à fogueira de vaidades, os dois gostam de armar um canto no backstage de cada trabalho para dar uma desligada. Shirley acende suas inseparáveis velas perfumadas, pendura uma canga para dar um clima e Zaiya liga seu som. “É uma festa, ficamos só entre amigos, longe das cobras”.

Com seus olhos azuis de gata que disfarçam até as orelhas de abano, Shirley é um dos rostos da campanha mundial do perfume Allure, da grife Chanel. Passou dois dias trabalhando com o fotógrafo Herb Hitts em Los Angeles, no Universal Studio. “Fazer Chanel dá muito prestígio”, afirma sem revelar o cachê mas admite que abriu mão dos US$ 150 mil propostos para a campanha de um outro perfume. Por causa deste trabalho, ela acaba de fotografar para a versão 99 do lendário calendário Pirelli. Ritts, que assina o calendário, escolheu uma modelo para representar cada década deste século. Shirley será uma pin up, dançarina de cabaré dos anos 40. Sua página virá até com autógrafo: “Beijos, Shirley”.

Se ainda não está milionária, pelo menos ela leva uma vida tranquila. Para os pais, que vivem de uma modesta granja, construiu uma casa “supergostosa” em Santa Clara do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, com piscina, móveis coloniais, jardim e cerquinha que a protege dos curiosos. Para a irmã Ana Paula, sua melhor amiga, comprou um carro. “Telefono sempre para ela, quando eu estou triste ou feliz – ela me saca de longe”. Para elazinha, comprou um apartamento no midtown nova-iorquino, todo envidraçado, com plena vista para o rio Hudson, mas resolveu alugá-lo para dividir com Zaiya um loft mais despojado em downtown. No computador, esquece da vida jogando paciência e campo minado. Ou se organiza: compra passagens via Internet, cuida de suas contas e controla a agenda. “Desde que comecei a sentir falta de uns cachês que nunca chegavam, contratei um advogado para administrar minha vida”. E não vê a hora de encontrar Zaiya para gozar uma semana de férias na Austrália, onde ele vai surfar e ela, recompor as energias para os desfiles de NY que começam dia 15.

Lilian Pacce para O Estado de S. Paulo

10.08.1998 às 7:12

Um fenômeno de mídia chamado “Visionaire”

Teoricamente uma revista de tiragem baixa, periodicidade escassa, custo altíssimo e nenhuma publicidade está fadada ao fracasso. Exceto por um fenômeno de mídia chamado “Visionaire”. Surgida em 1991, a revista tem sede em NY, circula com entusiasmo pelo fashion world e tem cara de Paris: cada edição é única no formato e no conteúdo. Cada exemplar recebe acabamento manual como os modelos de alta-costura, o que lhe rendeu a fama de “a alta-costura das revistas” no mercado internacional. Além disso, cada edição coincide com uma estação do ano, seguindo o calendário da moda que trabalha com as coleções de primavera, verão, outono e inverno.

Mas Visionaire não é uma revista de moda, embora seja a revista da moda. “É uma galeria em forma de revista, em forma de livro de arte, é um workshop de criação onde o mundo das artes visuais tem liberdade total de expressão, cada artista pode propor o que quiser”, diz Stephen Gan, 32 anos, fundador e sócio da “Visionaire”, em entrevista exclusiva ao Estado. Ele esteve no Brasil acertando os últimos detalhes do catálogo da Zoomp, que será lançado no início de setembro. Gan é autor do projeto gráfico do catálogo primavera-verão 98 que, ao abrir-se, se transforma em um Z que dá suporte às imagens feitas pelo top fotógrafo Mario Testino no Rio de Janeiro e em Paris.

Filipino, filho de chineses, Gan migrou para os Estados Unidos aos 18 anos. Teve uma breve passagem pela Parsons School e logo virou editor de moda da revista masculina “Details”. Aos 24 anos e com US$ 10 mil no bolso, ele e os amigos Cecilia Dean (modelo) e James Kaliardos (maquiador) se uniram para realizar o sonho de muitos profissionais que trabalham com moda: lançar um veículo livre, independente e com plena liberdade de criação. “Percebemos que nossos amigos tinham expectativas frustradas com as revistas e clientes para quem trabalhavam, sem poder publicar o que eles realmente preferiam”, conta Gan.

O primeiro número foi uma compilação de imagens preferidas: “Sob o mesmo formato, colocamos uma aquarela ao lado de uma foto de moda, um desenho de nu ao lado de uma colagem.” A tiragem de apenas mil exemplares foi uma imposição da pouca verba de que dispunham (US$ 10 mil), mas o reduzido número de exemplares acabou se transformando em mais um atrativo num meio que preza a exclusividade e a originalidade. “Pode parecer arrogante, mas as pessoas adoram o fato de terem um objeto de tão poucas cópias no mundo”, declara Gan.

Hoje, algumas edições chegam a 5 mil exemplares, como é o caso da edição comemorativa do 25º número, que pode ser encontrada nas livrarias Toc na Cuca (tel. 852-2030) por R$ 300. Em formato de álbum de LP (um relíquia desta era de CDs), ela traz os “Greatest Hits” de assíduos colaboradores. Onde mais você poderia ver Karl Lagerfeld fotografando Yohji Yamamoto? Ou David Bowie entrevistando a vanguarda da arte britânica como Beth B., Gavin Turk e Tony Oursler? E mais: um CD com a new new-age do DJ japonês Towa Tei, as ilustrações de Rubem Toledo para o figurino de Twyla Tharp, as “new visions” de novos nomes como Bless, Veronique Branquinho e Olivier Theyskens, e imagens deslumbrantes de Mario Sorrenti (para Junya Watanabe), Luis Sanchis (para Hussein Chalayan) e John Akerhurst (para Christian Lacroix). A festa de lançamento ocorreu na Colette, a loja mais cool de Paris, que organizou um exposição com imagens marcantes publicadas pela Visionaire.

Fantasia – Embora já estivesse devidamente estabelecida no mercado, a “Visionaire” deu uma virada há dois anos, quando lançou sua primeira edição com patrocínio. A revista veio dentro de uma pasta confeccionada especialmente pela Louis Vuitton, que virou hit absoluto na “fashion net”. Desta experiência, surgiram outras parcerias como as edições Beauty (patrocinada pela Prescriptives) e Diamond (patrocinada pela H.Stern).

Outras vezes, Gan passou a convidar um editor especial. A estilista japonesa Rei Kawakubo (da grife Comme des Garçons) foi a primeira, depois vieram Karl Lagerfeld, Mario Testino (que, ao criar um diário dos anos 90 sob o título Chic, substituiu algumas páginas por tecidos exclusivos e juntou um guardanapo com um beijo de Paloma Picasso a um pedaço do vestido usado por Madonna e ao faxsímile de um bilhete de Catherine Deneuve a Saint-Laurent) e Tom Ford, da Gucci. “Ford queria algo que remetesse ao futuro e surgiu o tema Light que nos levou a brincar de engenheiro eletrônico para conseguirmos executar uma revista que se acendesse ao ser aberta”, diz Gan. Light, uma revista em forma de caixa de luz de acrílico preto, foi a edição mais cara: US$ 450 nos EUA, mais US$ 85 só de postagem para algumas cidades do mundo. “O que mais nos estimula é o desafio de inventar algo excitante que ainda não fizemos”, diz.

Assim, a “Visionaire” se mantém única no mercado (apesar de algumas tentativas de cópia surgirem aqui e ali). “Somos uma revista de moda que não publica necessariamente roupas ou tendências, mas sim um álbum de imagens que inspiram moda”, define. A proposta ambiciosa gera sempre grande expectativa a cada edição, tanto pelo tema quanto pelas festas memoráveis que acompanham seu lançamento. “Estamos ficando mais famosos pelas festas”, brinca. Então, aguce sua expectativa. A revista que realiza e surpreende até as fantasias de quem tem poucas fantasias com a moda vai mexer com todas as fantasias. Aguarde. Em outubro.

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo

07.08.1998 às 3:16

Tommy Hilfiger chega ao Brasil

Mais uma marca internacional aporta em São Paulo. Agora é a vez do fenômeno Tommy Hilfiger, o americano conhecido como o Ralph Lauren populista dos homens. A primeira loja acaba de abrir no MorumbiShopping com as linhas masculinas e infantil. A 2ª loja, que será a flagship da marca no Brasil, deve ser inaugurada até novembro num espaço de 700 metros quadrados na r. Oscar Freire, Jardins. A decoração segue o padrão internacional, com móveis de madeira branca e arquitetura californiana do começo do século.

De origem humilde, Hilfiger é o sonho americano do self-made man que descobriu que o melhor modelo – e outdoor ambulante – para suas roupas são as estrelas do mundo pop. Snoop Doggy Dog foi o primeiro, depois vieram Coolio, Gwen Stefani (do No Doubt), Puffy Combs, Salt ‘n’ Pepa, Fugees e até os Rolling Stones, para quem Hilfiger preparou um guarda-roupa especial de mais de cem peças na turnê “Bridges to Babylon”. Segundo Hilfiger, “a música dá à marca uma imagem cool”. “Sem a música, você não é cool e não tem o mercado jovem; todo estilista tem um lado cool que ele tenta pôr em prática”.

Desde que consolidou sua marca no mercado americano, para depois se estabelecer no exterior, o império Hilfiger passou a render somas de fazer inveja ao triunvirato da moda americana (Donna Karan, Calvin Klein e Ralph Lauren). Em março, seu patrimônio foi avaliado em US$ 1,97 bilhão, incluindo a compra da marca Pepe Jeans. Seus lucros aumentaram 150% em relação ao ano anterior. Diante deste número quem seria capaz de discordar de sua estratégia como estilista, empresário e homem de marketing?

Um de seus trunfos é evitar a imagem elitista dos estilistas de sucesso, tanto nos preços quanto em seu marketing, intenso e inovador. Assim, os artistas ligados à grife estabelecem com seus fãs um vínculo acessível: ambos podem pagar R$ 85 por uma calça jeans ou R$ 60 por uma camiseta pólo. Quando Aaliyah, a cantora hip hop, apareceu na campanha publicitária com uma calça baggy, o modelo se esgotou imediatamente e a empresa teve que produzir com urgência mais milhares de pares. Várias roupas usadas por Sheryl Crow em sua última turnê foram comercializadas nas lojas, num contrato que rendeu à cantora US$ 500 mil e incluía parceria na campanha contra o câncer de mama.

As últimas investidas de Hilfiger em novas mídias incluem acordos inéditos com a Nintendo e com a Dimension Films (da Miramax). Assinadas por Tommy Hilfiger, as jaquetas, calças e camisetas usadas pelos personagens do novíssimo videogame “1.080º Snoabording” do Nintendo 64 começam a ser vendidos este mês nas lojas dos EUA que, em contrapartida, abrigarão monitores do Nintendo 64 para entretenimento de seus clientes.

Até o final do ano, Hilfiger lança o filme de ficção científica “The Untitled Rodriguez / Williamson Project”, escrito por Kevin Williamson (“Pânico” e “Pânico 2″) e dirigido por Robert Rodriguez (“El Mariachi”), numa parceria de US$ 200 milhões com a Dimension. O elenco, essencialmente de jovens atores (novos como Jordana Brewster e consagrados como Salma Hayek), vestirá Tommy Jeans, claro, num acordo sem precedentes entre moda e cinema.

American style – O logotipo da marca mimetiza uma bandeira com as cores dos Estados Unidos: azul, vermelho e branco, estabelecendo uma relação direta com o espírito prático do país que inventou o sportswear. Lançada em 1984, a marca obteve primeiro aval dos negros americanos, criando uma imagem politicamente correta. Hoje, até o presidente Bill Clinton usa suas gravatas. Além disso, pode-se encontrar uma linha completa para homens (de modelos casuais e esportivos aos de alfaiataria, passando pela coleção rock’n'roll que, inspirada nas roupas dos pop stars, tem camisas brilhantes de seda e calças justinhas de couro), mulheres, bebês, boys and kids (de 4 a 20 anos), além de acessórios, artigos e móveis para a casa e do perfume Tommy, um sucesso no mercado internacional. Todas as coleções, segundo ele, refletem um estilo de vida completo, num mix de roupas clássicas com as últimas tendências comerciais da moda.

Casado, Hilfiger tem quatro filhos, vive em Connecticut e gosta de aproveitar o tempo livre velejando em Mustique (no Caribe), onde tem casa vizinha à de Mick Jagger. De origem humilde, Tommy foi o rebelde de nove filhos de um relojoeiro com uma enfermeira. A falta de gosto pela escola ele atribui à dislexia, que até hoje lhe dificulta a leitura. Trabalhando como encanador, juntou US$ 150 e comercializou suas 20 primeiras calças de jeans boca-de-sino em 1969. Em seguida, abriu a loja People’s Place até se lançar como designer, em 84. Em 92, transformou sua marca em empresa de capital aberto. E hoje, a esta hora, ele deve estar alcançando um patrimônio de US$ 2 bilhões.

Novidades chegam com a primavera

Carente de grifes masculinas (conta-se nos dedos as boas marcas como Ricardo Almeida e Richard’s), o mercado nacional começa a virar objeto de desejo das grifes internacionais. A butique Daslu (r. João Lourenço, 536, Vila Nova Conceição) acaba de ampliar para 1.800 metros quadrados seu espaço masculino, que agora tem lojas separadas da Gucci, Donna Karan, Salvatore Ferragamo e outras marcas de grande prestígio. Além disso, a Daslu passa a oferecer outros atrativos ao público masculino: charutos da tabacaria Caruso, livros e revistas da Toc na Cuca, caixa eletrônico do BankBoston e até flores de Vic Meirelles.

Mas há mais marcas chegando. Jorge Kaufmann, uma das grandes revelações do Phytoervas em 95, finalmente inaugura seu espaço no início do setembro na r. Jacques Félix, 19, pertinho da Daslu. Além do estilo casual de sua marca Aquarela, que existe há 19 anos, ele investe na coleção masculina Jorge Kaufmann, um mix de dandismo e exuberância que refletem seu próprio modo de vestir. Uma de suas apostas é a substituição do paletó pela jaqueta bomber, seja num look mais formal (camisa e gravata) ou com uma camiseta básica. Para as mulheres, por enquanto, ele oferece peças especiais, de tiragem limitada (no máximo seis iguais), como um top de paetê francês cor-de-rosa.

Os tradicionais charutos Davidoff acabam de abrir sua primeira butique no País, que servirá de modelo para um sistema de franquias. Localizada no hotel Renaissance, a loja comercializará todos os artigos da marca: dos charutos apreciados por Orson Welles a óculos, carteiras, malas, camisas, gravatas e até conhaques, licenciados pela Hennessy.

Outra novidade é a linha completa de maquiagem Gianni Versace, que já está à venda com exclusividade na butique da rua Bela Cintra, 2.209. Os preços variam de R$ 26 (esmaltes) a R$ 38 (rímel), além de batons, pós compactos e outros. Em outubro, será inaugurada a primeira butique da Versus, linha mais acessível de Versace, no n.o 2.003 da mesma rua. Antes disso, Santo Versace – o todo-poderoso irmão -, vem a São Paulo para prestigiar o grande desfile de sua grife que Janete Bogoshian organiza no Museu Brasileiro de Escultura.

Dos importados, até outubro teremos as roupas de Yohji Yamamoto ao lado de novos nomes como Veronique Branquinho, Collette Dinnigan, Kostas Murkudis e do mago do tricô Julien McDonald – tudo na butique multimarca Sissi. Já a Claudeteedeca distribuiu pela loja corners de dez estilistas brasileiros (com a nova marca Rei, de Reinaldo Lourenço, e os jeans de Alexandre Herchcovitch) e doze internacionais – estreando as vendas do conceitual Martin Margiela e do comercial Alberto Biani. A Eclat terá como novidade as bolsas únicas de Loulou Guinness, um hit internacional, e as roupas de Thimister, além das italianas Rocco Barroco e Capucine Puerari.

Em setembro, Alexandre Herchcovitch sai da al. Franca para ampliar seus domínios na rua Haddock Lobo e no MorumbiShopping, dividindo suas araras entre a linha jeans e a parte mais fashion. A Mixed inaugurou sua maior loja, na Vila Nova Conceição, com as linhas Kids, Gym, Noite e Essentials. E Lita Mortari acaba de repaginar sua loja da r. Dr. Mario Ferraz, estreando a venda dos óculos de sol Alain Mikli na América do Sul ao lado de sua coleção feminina e dos sapatos de Alessandro dell’Acqua, Marc Jacobs, Sergio Rossi e outros nomes internacionais.

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo