Viagem pela África do Sul
Só pisando em terra africana para sentir sua força estética. Impossível estar lá e não querer usar cores vivas como as dos tecidos típicos e dos acessórios de miçanga. Ou os terrosos que se impõem na natureza e que fizeram do cáqui a veste-safári por excelência. Ou estampas selvagens iguais aos animais do safári: leopardo, zebra, girafa, guepardo…
E tudo na África ecoa moda: da histórica coleção de 1967 de Yves Saint Laurent (que, aliás, nasceu na Argélia), que inspirou Tom Ford na mesma marca na primavera-verão de 2002, às oncinhas de Dolce & Gabbana ou aos prints de Roberto Cavalli. Seus encantos selvagens são tão irresistíveis que estilistas do mundo todo acabam seduzidos por ela. E alguns conseguem criar uma imagem tão forte quanto a original que os inspirou.
Na viagem pela África do Sul, junto com a equipe do SPFW, a cada dois dias estávamos em uma cidade diferente e nos surpreendíamos em cada destino. Primeiro, a experiência do safári em si, na reserva Sabi Sabi, uma deliciosa aventura nas savanas com direito a elefante e seus companheiros do grupo chamado “Big Five”, os cinco grandes animais mais perigosos para a caça na África: elefante, leopardo, rinoceronte, búfalo e leão – para nós, só faltou o leopardo.
Segundo, descobrir a alta qualidade do trabalho feito com miçangas, intenso e delicado, que aparece tanto em pulseirinhas quanto em painéis, tradição em qualquer cidade, em qualquer tribo, em qualquer mercado. Entre muitas funções, as miçangas são usadas como terapia ocupacional e levantam a bandeira da luta contra a Aids: mais de 20% da população, com idade entre 15 e 49 anos, são portadores do vírus HIV.
Terceiro, e mais emocionante, conhecer as mulheres da tribo Ndebele, incluindo sua maior artista, Esther Mahlangu, e uma rainha _quarta das cinco mulheres do rei. Assim como os zulus, os ndebeles são polígamos. Se casam quantas vezes quiserem desde que possam pagar o dote de pelo menos onze vacas à família da noiva.
Quarto, a visita a Zululândia, onde os zulus (cerca de 1/3 da população) mostram como são suas tradições. O lugar, originalmente construído para cenário do filme “Shaka Zulu”, acabou se tornando a própria vila dos zulus. Lá os homens esculpem animais em madeira, as mulheres fazem acessórios de miçangas e a própria cerveja. E todos dançam muito, felizes.
Lilian Pacce para o Jornal do SPFW



