A nova safra de Hyères
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Matthew Cunnington foi o grande vencedor da competição entre os estilistas
Abril é sinônimo de acontecimento em Villa Noailles, na França. Tudo por conta do Festival Internacional de Moda e Fotografia de Hyères, que acontece há 23 edições e elege a melhor coleção de estréia de novos criadores, segundo um júri de especialistas como Ricardo Tisci, da Givenchy. O evento, dirigido desde o começo por seu fundador, o francês Jean Pierre Blanc, traz também workshps e exposições que exploram os limites entre arte, fotografia e moda, dando espaço tanto para jovens talentos quanto para artistas consagrados.
Na edição deste ano o grande vencedor da competição entre os estilistas foi o inglês Matthew Cunnington. Sua coleção poética e sombria – repleta de dobras complexas, franzidos e drapeados – foi inspirada na mãe dele. Por morar em uma severa vila católica da Inglaterra, a sra. Cunnington foi obrigada a ir para um convento quando engravidou de Matthew. Confira outra imagem desse trabalho:

Prêmio Fotografia
Quem levou o grande prêmio de fotografia em Hyéres foi a francesa Audrey Corregan. Os jurados se encantaram pela série de imagens inusitadas em que ela mostra pássaros fotografados de costas:


O Festival de Hyères vai até 1º de junho com exposições de nomes como Melvin Sokolsky, fotógrafo famoso desde os anos 60 pela série Bubbles, e o americano Scott Schuman, conhecido no planeta fashion graças a seu blog, “The Sartorialist”, onde mostra como pessoas comuns se vestem pelas ruas de todo o mundo. Destaque também para a mostra de trabalhos de talentosos estilistas, como o português Felipe Oliveira Batista, que participa da semana de alta costura de Paris, e a sueca Sandra Backlund, prêmio-revelação do ano passado. No site do evento é possível conferir mais imagens e obter informações sobre os competidores e as exposições. Vale o clique.
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O balé das jóias
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A linha “Lecuona”, baseada no espetáculo de 2004 onde os bailarinos interpretam canções sentimentais, tem a flor como elemento principal
A parceria entre Deborah Colker e New Order não é a única dobradinha entre moda e dança no Brasil. A H.Stern acaba de lançar uma coleção de jóias inspirada no renomado Grupo Corpo, fundado em Belo Horizonte em 1975. Para a criação, a equipe de designers da marca de jóias fez uma imersão no universo da companhia mineira de dança.
Os espetáculos foram esmiuçados desde sua concepção criativa até a apresentação no palco. As imagens formadas pelo conjunto de bailarinos deram origem ao contorno das jóias. As coreografias e o figurino foram traduzidos na textura do ouro. Os pingos de suor que caem no chão se transformam em pedras preciosas. O resultado: uma coleção formada por 63 peças divididas em 10 linhas batizadas com nomes de balés do Grupo apresentados desde 1992. Confira algumas peças dessa coleção:

O balé “O Corpo” (2000) leva o nome do grupo e disseca a anatomia humana: pé, mão, perna, braço, umbigo. A silhueta do corpo deu origem aos brincos da linha

À dir.: “Onqotô”, de 2005, fala da origem do universo, dos fenômenos naturais que teriam dado início a tudo. Desta inquietação, surgem espirais e folhas estilizadas em anéis, brincos e pulseiras. À esq.: o espetáculo” Nazareth” (1993), inspirado na obra do compositor carioca Ernesto Nazareth (1863-1934), traz flores para o palco.

Inspirado no sertanejo, “Parabelo” (1997) é dos balés mais brasileiros do Grupo Corpo, com alusões explícitas aos ritmos populares do xaxado e baião
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