Os 3 vencedores do Fashion Mob – e o que o Blog LP queria que também tivesse vencido!
Tarde de sol no centro de SP. Em pleno Largo do Arouche, montação fashionista no último grau (tipo daquelas que você pensa “gente, isso é só pra passarela, né?”). Ela convive harmoniosamente com club kids de preto, mendigos, meninos bombados sem camisa, famílias curiosas. O Fashion Mob é o evento que, pela 2ª vez, abre as edições de inverno da Casa de Criadores! A ideia é simples: você é aspirante a estilista? Quer mostrar o seu trabalho? As portas estão abertas: basta se inscrever, participar de uma passeata que vai do Arouche até o Parque da Luz e uma banca de especialistas examina seu trabalho. O 1º lugar entra na próxima edição da Casa, dentro do projeto LAB! Legal, né?
Outra coisa legal é que o resultado sai ali mesmo, foi só esperar um pouquinho! E o 1º lugar ficou com o carioca Thiago Schynider. Ele disse que fez a coleção, que tem alfaiataria e tridimensionalidade, especialmente pro Fashion Mob em 2 semanas! Thiago estuda no Senai/Cetiqt e tem 24 anos.
O 2º lugar ficou com uma conhecida do Blog LP: Camila Prado é do line-up do Capital Fashion Week! Ela estava bem feliz e garantiu: está vindo de mala e cuia pra SP em um mês! Seu trabalho tem estampas com geometrias tribais e tudo bem curto. Bem vinda, Camila! Danilo Centemero, o 3º lugar, fez uma coleção masculina de alfaiataria bem colorida.
Mas o Blog LP sentiu falta, entre os 1ºs colocados, de André Miamoto, que fez um trabalho bem legal resgatando coisas da cultura e do vestuário brasileiro (ele cita Gilberto Freyre e Oswald de Andrade em sua base teórica). Mineiro de 22 anos, ele se formou na FUMEC de BH em julho e apresentou suas roupas em araras “porque não consegui arrumar modelo e também como um protesto, já que os homens não costumam usar esse tipo de roupa”. Talvez isso tenha prejudicado André na votação, mas definitivamente ficou claro que, mesmo sem estar vestida, sua coleção estava acima da média da maior parte dos candidatos.
André Lima: preview do inverno 2011
Você já viu aqui a prévia do outono-inverno 2011 de uma série de marcas que participaram do Minas Trend Preview. E a gente segue de olho no que os estilistas preparam pra época em que o calor forte do nosso verão – já tá sentindo? – sai de cena e dá lugar a temperaturas mais baixas marcadas nos termômetros.
André Lima é um deles e recebeu o Blog LP em seu espaço no Salão Casamoda pra mostrar o que as clientes encontrarão nas suas araras. Ele explicou qual é seu processo pra definir as coleções comercial e de passarela. “Sempre que começo uma coleção eu imagino estar numa festa e ver, de repente, uma mulher vestindo algo que me impressionaria. É assim que eu me inspiro. O preview é o começo do meu raciocínio, então essa festa pode ser de um casamento, um Reveillon. Quando vou pro desfile já penso numa coisa mais absurda – mas o desfile precisa estar alinhado com a coleção comercial”.
A coleção apresentada ali conversa com o último desfile dele, por exemplo. “Na primavera-verão 2010/11 eu trabalhei o que eu chamo de estilo ‘jetish’ – um pouco de “Os Jetsons” com alta-costura -, uma roupa que sai do corpo, mas não o deforma. Fizemos testes e mais testes pra criar aquelas estruturas, eu criei o Viagra dos tecidos!”, brincou André. E pro inverno a ideia volta a aparecer, de uma forma mais contida, representada nas saias estruturadas e nos vestidos construídos, que fazem bom contraponto às camisas criadas por ele em todas as cores da coleção. Na cartela, variações de laranja, verde, roxo, lilás e rosa estão ao lado do preto e do caramelo em tecidos de algodão, cetins de seda, malhas de rayon, cirrê e até um tricô bem levinho. A estamparia digital traz um mix de referências que vão desde o tribalismo, puro e simples, até as joias, passando por uma estampa com jeito de “lenço da vó″. “As estampas não precisam ter conexão, elas só precisam se justapor de uma forma que exista diálogo – harmônico ou não”. Gostou?
Miro, entre a luz e a sombra
Ele tem uma fama daquelas. Para o bem e para o mal. Coisas de quem entra de corpo e alma num trabalho. Ele costura, pinta, borda e… fotografa – um talento renascentista, capaz de assumir todas as etapas do processo de criação. Miro (sim, apenas Miro) é protagonista da história da fotografia de moda e publicidade no Brasil, com trabalhos para revistas como “Vogue“, “Interview” e “Marie Claire“, e campanhas memoráveis como a do primeiro maiô de Lycra, da “bonita camisa, Fernandinho” para a US Top e dezenas da marca Forum.
Dos anos 70 pra cá, Miro não parou de fotografar. E, como uma pintura, tudo em sua vida foi sombra e luz. O olhar é afiado, mas o ouvido mal escuta. Perfeccionista com a imagem, foi relapso com o dinheiro. E assim foi pagando contas e dívidas, embora pudesse ter ficado milionário como tantos de seus clientes.
Miro/Divulgação
Foto para a “Claudia”, 1974
Agora ele recebe uma homenagem do fotodesigner José Fujocka, que reuniu no livro “Miro, Artesão da Luz” uma boa dose desses registros, incluindo a série Vaidades – tão primorosa quanto as obras que a inspiraram. Sim, só Miro seria capaz de se propor tamanho desafio: reproduzir Caravaggio, El Grecco, Rembrandt e outros grandes mestres em papel fotográfico. Sem photoshop. Ironicamente, foi nesta busca obsessiva pela arte que ele descobriu ser vítima da síndrome do pânico.
Nos encontramos numa tarde esta semana e Miro disse que estava decidido a falar tudo. Foram 4 horas de uma conversa deliciosa e sincera, cujos principais temas eu destaco a seguir.
Mulheres: “Sempre me relacionei mais com mulheres do que com homens. Meu primeiro trabalho importante em publicidade foi com a Magy Imoberdorf, depois a Helga Miethke. Em editorial, Regina Guerreiro e Hiluz del Priore. Meu primeiro casamento foi com a Leda Senise, com quem eu tive a Marcela. Depois me casei com a Gisela Porto, com quem estou até hoje, e nasceu a Eduarda. Isso sem falar na minha mãe, nas modelos, em você…”
Arrependimento: “Fiz um monte de coisa errada. Estudei francês em vez de inglês. Dei muita importância a todos os trabalhos que fiz. Hoje sei que alguns são mais importantes e merecem mais dedicação do que outros. Além disso, me dediquei mais à fotografia em si do que ao estúdio, não me dei conta de que isso era um negócio, uma empresa. Achava que a equipe fazia a parte dela e eu a minha. Só percebi que isso não acontecia há três anos [Miro descobriu um rombo financeiro e os funcionários foram afastados]. Agora, depois dos 60 anos, resolvi que tenho que tirar proveito do que fiz, como comprar um apartamento para a Gisela. Se ao acordar todo dia eu tivesse dito: sou o melhor fotógrafo, eu seria o fotógrafo mais rico deste país. Mas não. Eu acordava todo dia feliz da vida pra trabalhar, mesmo tendo um monte de inseguranças, sem saber se ia conseguir fazer a foto ou não…”
Miro/Divulgação
“Elle” francesa, 1975
Fama: “Dizem que sou ótimo fotógrafo, mas também ouço os piores adjetivos do mundo, ‘o Miro é complicado, o Miro atrasa, o Miro refaz a foto sem mostrar’. Ou seja, eu imaginava que o outro tinha a mesma expectativa de qualidade que eu, e refazia tudo até me convencer do resultado. No final, quem mais perdeu fui eu. Eu tô tentando me desvendar pra você porque até hoje tem esse ranço em torno de mim. E ser lenda é muito ruim. Eu não sou uma lenda. Se há algo em que eu tenha me destacado mais do que outros, é porque eu me dediquei mais.”
Trajetória: “Fazendo uma lavagem de alma, tudo aconteceu muito rápido. Saí de Bebedouro aos 19 anos, sem nunca ter encostado numa câmera fotográfica. Comecei no laboratório do José Daloia e aos 23 anos já estava fotografando em SP. Aos 25, estava em Paris trabalhando pra ‘Elle’ e outras revistas de lá. O Peter Knapp, diretor de arte da ‘Elle’, me adotou. Conheci Jeanloup Sieff, Sarah Moon, Guy Bourdin, mas não tinha ideia do que isso representava. Passou rápido porque a Leda ficou grávida e voltamos pra São Paulo.”
Lembrança: “Knapp me pediu uma matéria sobre cabelos, de frente e de costas. Um dos cabeleireiros era o Jean Marc Maniatis, que eu também não tinha ideia do que representava. Fiz as fotos em preto-e-branco e pintei com aquarela depois. É a foto que abre o livro. Pouco tempo atrás, vendo uma ‘Elle’ francesa havia uma entrevista com o Maniatis mostrando a sala da casa dele. Na parede, estava exatamente esta foto. Imagina um recém-interiorano no meio de tudo aquilo!”
Miro/Divulgação
Hebe Camargo nos anos 80
Trabalho: “Geralmente as fotos que têm mais dinheiro são as que dão mais trabalho e revertem pouco em termos de realização. Normalmente os melhores trabalhos são de clientes pequenos, que mal têm verba… Eu deveria ter feito os trabalhos que têm muito dinheiro como todo mundo faz: toma lá, dá cá. Mas não, eu me dei a todos. E aos que não tinham verba, eu me dei mais ainda, por ser algo mais pessoal.”
Forum: “Fiz as campanhas da Forum por 16 anos – quase metade da minha vida profissional. Tudo com pouquíssimo dinheiro e muita entrega. Era meu cartão de visita. A própria arte era feita no estúdio. E como tudo terminou… [Miro ficou sabendo do rompimento pelos jornais]. Eu não conseguia olhar no olho do Tufi [Duek] nem ele no meu. Levei um bom tempo pra digerir, mas hoje tá tudo certo.”
Editorial: “Sabendo quanto um anunciante paga por uma página de revista, fica claro o privilégio que é ter 10 ou 20 páginas com um editorial fotografado por você. Então é preciso ter o maior carinho com isso. Eu convivi com loucas, no bom sentido, como a Regina Guerreiro, que parava a foto enquanto o lenço que ela queria não chegasse. Aprendi com ela que é preciso ser persistente com o que a gente acredita. Hoje tá chato. Qual é a informação de um editorial que não é feito por uma editora de moda e sim por meninas que pegam um monte de roupa e levam pra celebridade fotografada escolher o que vai vestir? Que autoridade de moda tem uma celebridade?”
Era digital: “A fotografia tinha cheiro! Quando eu comecei, era mais calmo, havia prazo, havia dinheiro… Com a digital [Miro só comprou uma câmera digital em 2007] a rotina do estúdio mudou completamente. Antes, você tinha que deixar um cenário montado por quatro dias até o filme ser revelado e o trabalho ser aprovado pelo cliente. Hoje a foto é aprovada na hora. Acabou a foto, acabou tudo.”
Miro/Divulgação
Da série “Vaidades”
Luz: “Acho que eu tenho mais cuidado com a produção do que com a luz em si. Eu faço a mesma luz há anos, muda muito pouco. Mas tenho cuidado com tudo, ajeito a gola da pessoa, ponho a mão nela. Uma vez estava fotografando o Aécio [Neves] e fui arrumar a camisa dele. Ele me disse: ‘Miro, capricha porque eu quero arrumar uma namorada nova com esta foto’. Isso eu aprendi com a Regina, ela arrumava até…”
Angústia: “Há 27 anos tomo remédio para síndrome do pânico. Dizem que síndrome do pânico é um processo de depressão, mas talvez seja angústia. Duas vezes achei que ia morrer e a Gisela me salvou.”
Proteção: “Um dia uma menina disse que eu deveria agradecer meu anjo da guarda. Eu nunca tinha feito isso! Minha vida mudou depois que eu comecei a agradecer.”
Lilian Pacce, especial para o “Estado de S.Paulo” em 28/11/10
Miro conta tudo
Miro/Divulgação
“Vogue” especial de Tonia Carrero em 1981
Nesse fim de semana teve lançamento do livro-retrospectiva de Miro! E no domingo, no Estadão, a Lilian publicou um artigo-entrevista no qual ele falou de tudo – você chegou a ler? Não? Tudo bem, Blog LP te quebra um galho: o texto já está na Fashionteca!
Blake Lively comprou mais de 40 pares de Louboutin durante a venda especial
Blake Lively tem algo bem particular com os sapatos de Christian Louboutin. Como você já leu no Blog LP, a atriz americana disse que o maior momento de sua vida foi dar nome a um dos pares do designer de calçados francês. Trazemos para você agora o que seria, possivelmente, o segundo maior momento de sua vida: a venda especial da grife.
Montagem Blog LP/Reprodução
Blake Lively e as sacolas de Christian Louboutin!
O evento, que aconteceu na semana passada em NY, foi feito somente para uma seleta lista de convidados – mas fashionistas chorando e oferecendo dinheiro por um nome na lista não faltaram na porta, segundo conta a coluna Footwear News do “WWD“. Ela conta também que Blake entrou lá e só saiu depois de 4 horas experimentando sapatos (entre eles, botinhas de couro vermelho com tachas metálicas). Quando Lively foi embora, levou consigo pouco mais de 40 pares de sapatos. Ela explicou: “Tenho irmãs, então estou comprando presentes para elas e para amigas”. Mas confessou: “É claro que comprei alguns [pares] para mim, também”. Ah, bom.



