OESTUDIO: o último do 2º dia de Fashion Rio
A OESTUDIO fecha o 2º dia de Fashion Rio aqui no Píer Mauá – hoje, só amanhã! Mas enquanto o amanhã não chega, clica aqui na galeria pra ver imagens do backstage, clicadas minutos antes da marca mostrar sua primavera-verão 2011/12 na passarela:
Salinas – Fashion Rio primavera-verão 2011/12
Inspiração no Rio de Janeiro pra moda praia de primavera-verão 2011/12 da Salinas? Jogo ganho, né? É: estampas do calçadão de Copa, paisagens sobrepostas, guarda-sóis gráficos… Um Rio modernista e iluminado com tudo que a marca faz de mais bem sacado: tem saída de praia volumosa-bufante, pinta um flamingo divertido ou gaivotas poéticas, geometrias, calça-saia pras descoladas que querem conforto. E a profusão de lenços? Prometem que vão lançar uma nova coleção deles toda temporada – e estão começando uma linha de lingerie também! Os destaques são os laços-lenços que celebram essa novidade na lateral da calcinha e no híbrido de chapéu-lenço na cabeça, mais os decotes quadrados arrojados do fim do desfile. Mas enfim, de calcinha grande ou pequenina, de top com alça ou sem: tudo é um charme! (Jorge Wakabara)
E a Salinas, que vai lançar uma linha de lenços?
Há lenços em todo lugar pra onde se olha na coleção de primavera-verão 2011/12 da Salinas – em um nó que une as partes do top de um biquíni, na amarração lateral da parte de baixo dele, no detalhe do recorte de um maiô, atrás dos chapéus de aba larga, numa saída de praia.
“É uma lençomania“, disse a estilista Jacqueline de Biase pro Blog LP no backstage. “Apesar dessa coleção não ter nenhum lenço solto, os lenços aparecem em detalhes de muitas peças. E ainda vamos lançar uma linha só deles. Eu já tinha essa vontade faz tempo…”. Conta mais! “Eles serão todos feitos de algodão de seda, em tamanhos variados. Como vão ser lançados junto com as coleções, terão as cores e estampas delas”. Enquanto eles não chegam às lojas, conheça na galeria a nova coleção da Salinas.
Totem – Fashion Rio primavera-verão 2011/12
Muito bom ver uma marca que representa o estilo carioca – aquele que sabe se vestir pra ir à praia como ninguém – evoluir sem perder a mão. É o que acontece com a Totem de Fred D’Orey nesta temporada, contando com uma nova profissional em sua equipe: Yamê Reis, estilista mais identificada com a Cantão, marca para a qual ela trabalhou longamente. A receita parece simples, mas tem lá seus segredos. E na receita da Totem os ingredientes são: formas simples, proporções exatas e estampas suavemente coloridas (ainda que em tons vivos), que são misturados delicadamente, como se suas peças fossem um suflê – leve, consistente, saboroso.. Além disso, o homem e a mulher Totem agora se divertem e vivem além da praia, imprimindo uma elegância natural, quase essencial, em programas mais urbanos num belo dia de sol. O recado vem logo no primeiro look, usado por Aline Weber: um blazer e calça de barquinho que mostram como a alfaiataria pode ser casual. O nome da coleção traduz bem o espírito: Doce Vida. Doce vida navy, com tons de azul, vermelho e branco, em estampas gráficas, blocos de cor ou listras calculadamente assimétricas. Pra completar o look, um tênis com solado de alpargatas, num couro-jeans, prata metálico ou numa lona bem gostosa. (Lilian Pacce)
Gareth Pugh tá no Rio!
Aurea Calcavecchia
Dark na paisagem tropical: Gareth Pugh no Rio
Gareth Pugh está no Rio. Blog LP também, e aproveitou pra encontrá-lo! A Melissa foi quem trouxe o estilista pra cá pra fazer o lançamento dos sapatos que ele criou pra marca. Entre um compromisso e outro, ele foi conhecer os pontos turísticos da cidade, fez um passeio de helicóptero em volta do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor… Confira o papo:
Você já veio pro Brasil antes, não?
Sim, mas essa é a minha 1ª vez no Rio. Estive em SP por alguns dias, há muito tempo. Aqui, eu pude ver o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor num passeio de helicóptero.
E a moda brasileira, já viu?
Ainda não. Mas espero ver alguma coisa hoje, no evento que faremos no Fashion Rio.
Como você conheceu a Melissa?
Quando desfilei pela primeira vez em Londres o Judy Blame fez meus acessórios. Ele falou do meu trabalho pro Eduardo [Jordão, do marketing gringo da Melissa] e, no meu 2º desfile, a Melissa me ajudou fornecendo sapatos. Falávamos de fazer algo junto há algum tempo, e aconteceu agora. Faço poucas colaborações. No começo teve essa da Melissa, uma outra com Nicholas Kirkwood, mas hoje em dia é tudo produzido por nós mesmos, em uma fábrica na Itália.
Na última vez que você veio pra cá a imprensa te elogiou suas roupas e você foi logo dizendo que não vendia quase nada. Isso mudou de lá pra cá?
Mas não vendia mesmo! (Risos) Muita coisa mudou. Trabalho com as mesmas pessoas que cuidam da fabricação, venda e distribuição de Rick Owens e Ann Demeulemeester, então agora estamos em uma direção boa. Estou muito feliz, crescemos a cada estação e, mesmo quando estavam todos preocupados com dinheiro e a economia, nós continuamos crescendo.
Lady Gaga, Kylie Minogue e Beyoncé vestem suas roupas!
É divertido poder trabalhar com uma clientela tão ampla. Cada vez que me pedem pra fazer algo é um desafio, pois obviamente Kylie é muito diferente de Beyoncé e Lady Gaga.
Qual é a favorita?
A 1ª pessoa pra qual fiz algo desse tipo foi Kylie. Junto com o stylist dela, William Baker, eles formam um time muito legal. Também tem o fato de que eles são de Londres, deixam eu fazer o que eu quiser. Acho que trabalhar com Lady Gaga, apesar de muito divertido, foi previsível.
Jorge Wakabara
A Ultragirl da Melissa feita por Gareth Pugh (e ainda tem mais um modelo dele!)
A coleção que está na passarela é a que chega nas lojas? Há outras, mais comerciais?
Desde sempre a gente vendia o que desfilava. Mas a partir de junho vou lançar pré-coleções, meio que como coleções-cápsula, pra abastecer as lojas entre uma estação e outra. Minha loja em Hong Kong, por exemplo, só recebia mercadoria 2 vezes por ano. Estava ficando chato pras clientes!
Você é muito envolvido com vídeo, já usou o formato pra seus desfiles e fez parcerias com Nick Knight no SHOWstudio. O que acha da relação do vídeo com a moda?
Estamos no começo dos fashion films. Vejo como o topo de um grande iceberg. Coisas como o iPad e aplicativos de revistas de moda mudaram o funcionamento da moda. Se a “Vogue” pedir pro Mario Testino fazer um editorial, não vai querer só as fotos, querem que ele mande um vídeo também. A moda está começando a valorizar a importância da imagem em movimento, as pessoas ainda não entenderam isso.
E sobre o vídeo em seus desfiles?
Se eu fizer um desfile, talvez umas 400 pessoas apareçam pra assistir. Depois de feitas as fotos, não temos controle de quantas pessoas o assistirão. Nunca aconteceu comigo, mas às vezes um sapato cai do pé da ou um casaco aparece do jeito errado com o movimento da modelo. Quero que minhas roupas aparecam do jeito que eu quero que elas apareçam, entende? Tomo o controle de volta e mostro pras pessoas exatamente o que há para ser mostrado, e dá pra fazer mais coisas em vídeo do que em um desfile ao vivo.
Mas é uma decisão importante levar as pessoas para uma sala de desfile e mostrar uma coleção em vídeo…
Pra mim foi muito importante ir pra Semana de Moda de Paris e ser listado como um desfile, e não uma apresentação. Lá tem essa coisa de as apresentações terem menos relevância do que os desfiles… Fizemos uma coisa meio safada: na 1ª vez, não falamos pra ninguém que iríamos exibir um vídeo! Eles não ficaram p***s nem nada, foi até bom ter algo de diferente na programação (Risos).
Quem faz vídeos desse tipo que você gosta?
É uma pergunta difícil, não temos muitas pessoas fazendo isso… Gosto do Chris Cunningham, que dá conta de levar seu trabalho pra tantos lugares diferentes; clipes musicais, filmes de arte, comerciais de perfume com a Abbey Lee. É muito bonito, mas tem sempre um elemento dark presente. Ele vai além do que é pra ser um comercial de perfume, criando imagens que podem ser eternas, ao contrário do produto. É por isso que imagem é tão importante.
De onde você tira inspiração?
Nunca de livros. Não vou a uma biblioteca e pesquiso algo específico, sabe? É mais um feeling do que vem agora, adicionando mais às experiências do que foi antes. Tenho uma memória péssima pra nomes, mas ótima pra imagens. Às vezes, coisas do meu passado voltam e se tornam relevantes. Mas é muito abstrato.
E o que vem agora?
Ai, que boa pergunta (Risos). Estou fazendo a pré-coleção pra junho e pensando em algo… Não sei. Sempre trabalho com opostos, não importa se é preto e branco ou whatever, mas queria juntá-los. Meio que como numa pilha, com o pólo positivo e negativo. Juntar tudo em uma única energia. Isso pode ser, talvez, o que estou pensando… (Risos)



