Cabelismos

29.04.2012 - 08:00 Beleza Cabelo 2 comentários
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Eugenia Moreyra, a Louise Brooks brasileira!
Eugenia Moreyra, a Louise Brooks brasileira!

Depois de “Tatuagens, Piercings e outras Mensagens do Corpo”, publicado em 2005, Leusa Araujo lança o “Livro do Cabelo”, resultado de 6 anos de pesquisa antropológica e sociológica sobre os significados… do cabelo, claro! E a relação do ser humano com as madeixas é histórica! Blog LP fez algumas perguntas pra autora e descobriu que o Brasil também tinha uma Louise Brooks… Confira!

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Qual foi a coisa mais estranha que você descobriu em sua pesquisa?
É difícil achar qualquer coisa estranha quando a pesquisa se estende por tantas épocas e lugares do mundo tão diferentes da atualidade. Mas justamente por pertencer e conservar grande intimidade com a pessoa durante a vida, inúmeras sociedades acreditaram que os fios de cabelo também guardariam as forças vitais do indivíduo, os “restos de vida” do corpo, mesmo quando fora dele. Esse poder mágico de transitar entre o mundo dos vivos e o sobrenatural transformou o cabelo em ingrediente pra práticas de feitiçaria ou magia. “Prender” o ser amado é feitiço conhecido. Existem até os que recomendam à mulher ou amante que corte os cabelos da cabeça, das axilas e de outras partes do corpo (assim como unhas das mãos e pés). Depois, junte tudo numa massa pra torrar e moer. O pó deve ser dado pro marido ou pro homem desejado beber. Bizarro, não?

Você tem alguma história preferida que você descobriu pro livro?
Não é a “história preferida”, mas é o óbvio que a gente não enxerga no dia a dia: o quanto que o cabelo preso está associado à opressão feminina, oculto sob chapéus, véus, lenços, turbantes. Não é à toa que as “solteiras” são assim chamadas porque mantinham os cabelos soltos (sem serem trançados, como o das menininhas), nem presos, ou partidos ao meio, como o das senhoras casadas – em diferentes épocas e lugares no mundo. Cito no livro: no século 20 as mulheres começaram a se libertar, na “lenta alforria dos chapéus”, das toucas e lenços, conforme ensina o historiador francês Georges Vigarello. Além disso, o cabelo “de lado” está intimamente associado à origem da palavra “seducere”, que carrega em si a atitude desviante, o movimento de jogar os cabelos pro lado e que tira o pobre homem do caminho reto! Este cabelão repartido de lado que pode ser jogado ameaçadoramente, quase cobrindo o rosto, ainda é estereótipo da mulher fatal.

E quanto às fotos? Você tem uma preferida? Tem alguma que você queria incluir mas não rolou?
Foi uma emoção total quando consegui a foto da Eugenia Moreyra – a nossa Louise Brooks. Não aguentava mais encontrar o mesmo ícone de cabelo para os anos 20 em todos os livros. E de repente descubro uma intelectual dos anos 20, comunista, que fumava charuto e reunia a intelectualidade na casa dela. Foi capa, anos mais tarde, da revista “Time Life”. Feminista, diretora de teatro, atriz e jornalista, Eugenia fumava charuto em público, defendia ideias comunistas e transformou a sua casa – na rua Xavier da Silveira, 99, no Rio – no que Jorge Amado chamou de “lar” dos intelectuais de esquerda e do “miolo do modernismo”. E não me lembro de ter perdido a batalha de nenhuma das fotos planejadas. Até a Fernanda Tavares, lindíssima, entrou para a capa!

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Além de várias curiosidades, o livro ainda garante distração nos dias de cabelo ruim. Com 208 páginas e mais de 155 fotos, a publicação chega às livrarias no dia 30/04, por R$ 69,90. Pra guardar na penteadeira!

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Comentários (2)

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