Prada e Gucci em Milão no outono-inverno 2001/02

06.03.2000 - 14:03 Desfiles Milão comente!

Penúltima escala do circuito de desfiles, Milão terminou ontem os lançamentos para o outono-inverno 2001/02. Amanhã os fashionistas focam seus olhos em Paris, onde finalmente pára de girar o carrossel da estação. Lá teremos o desfile de dois brasileiros, Alexandre Herchcovitch (sábado) e Icarius (segunda-feira), e a comercialização de vários como Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Zoomp, Ellus e M. Officer, que estão com showroom na capital da moda.

2 das principais engrenagens da moda mundial hoje se lançam em Milão: Prada e Gucci. O que eles fazem será seguido pela corrente da moda, reinterpretado ou simplesmente copiado até chegar aos camelôs mais espertos. A Prada vem radical, completamente fiel aos seus princípios. A estilista Miuccia Prada, que disseminou uma estética às vezes dura de engolir por sua estranheza inicial (logo digerida, provando-se altamente lucrável), disse que nesta coleção ela ficou atraída pela verdadeira vanguarda da moda, que explodiu nos anos 60.

Ou seja, há um perfume de Courrèges com Pierre Cardin e Mary Quant em suas peças, da jaqueta de pele à regata mais básica, passando por saias pregueadas, minicasacos tipo pelerine, calças no meio da perna, vestidos de decote quadrado com jogo de texturas na inserção de faixas tipo código de barras. Tudo em preto ou marrom, com um pouco de laranja para reforçar o desejo futurista. Os acessórios que fazem a fortuna da Prada (que hoje detém as marcas Helmut Lang, Jil Sander e Fendi) indicam bolsas abaixo do quadril (com alças muito longas), sapatos boneca de salto alto, de preferência bicolor, e botas de amarrar. No styling, o toque de cachecóis compridos e do chapéu de pele de origem russa.

Para a Gucci, capitaneada pelo texano Tom Ford, esta coleção veio sob a pressão da crítica negativa da última temporada. Acostumado à unanimidade favorável, Ford enfrentou vozes dissonantes na coleção passada, mas demonstrou seu poder de fogo com uma leitura gucciana (ou fordiana?) dos anos 60/70 – um pouco da tal vanguarda a que Miuccia se referiu, um pouco dos mods ingleses, um pouco dos punks e muito dos baby-dolls na série de vestidos de cintura império que fecharam o desfile.

“Viemos de um período de boom econômico que tinha a ver com roupas mais chamativas”, disse Ford à imprensa, comentando que a queda da bolsa (a Nasdaq, não a dele) fez com que as pessoas mudassem seu comportamento. “Era uma estética correta para aquela época, mas as coisas chegaram quase à vulgaridade; talvez hoje você prefira comprar um casaco de cashmere em vez de um vestido de paetê amarelo-canário“. A mulher super-sexy de Ford está mais contida e até na noite ela prefere uma sensualidade mais inocente. A coleção vem praticamente em preto e branco, com graduações do rosa (do rosê ao pink).

O desfile começa com calças secas e blazers curtos, que parecem de criança, reeditando o terninho que a Gucci consegue transformar em uniforme a cada estação – tudo em preto. As calças exigem uma faixa de couro com zíper que sobe até a coxa, pela frente ou pelo lado da perna. Casacos de pele da Mongólia, bem peludos, contrastam com vestidos pretos de cetim, de decote quadrado, como o usado pela brasileira Marcele Bittar. A bota sem salto, com bico fino de ponta quadrada, acima do joelho, promete ser o hit básico mais cobiçado da estação. O sapato do desfile é alto, cruzado no tornozelo, levemente bailarina.

Bailarina também foi o tema de Giorgio Armani, que comemorou os 25 anos de sua grife em 2000, com uma superexposição em NY. Um dos trunfos da carreira de Armani foi ter dado à mulher a interpretação adequada aos anos 80 dos indefectíveis terninhos. E é com isso que ele angariou fama e fortuna, apresentado sua versão agora com toques de bailarina. Já Donatella Versace diz que fez um sportswear a seu modo, ou seja, muito luxuoso, como as jaquetinhas usadas com fartas estolas de pele ou a calça de jeans que na verdade pode ser de um delicado couro. Para a Versus, sua segunda marca, estampas de tons fortes de vermelho, azul e amarelo, muito branco e preto, minissaias com faixas de zíper e muito ombro de fora em tops assimétricos.

A dupla da Dolce & Gabbana também não cogita que a mulher pode querer ser mais controlada/reservada. Sua mulher continua sexy e quase over, com o jeans desempenhando papel importante. As calças justérrimas cobrem o pé e vêm com mantôs compridos e tops estampados, com muito colar de pérola de voltas longas. Nossa Gisele Bündchen roubou a cena ao declarar no final do desfile o que já havia dito à imprensa brasileira: Dolce & Gabbana foi o último desfile de sua carreira, afirmou. Agora, sua vida de modelo vai incluir apenas campanhas publicitárias (todas milionárias) e trabalhos eventuais. Gisele quer aproveitar seus 20 anos e fazer o que não pôde na adolescência quando começou a trabalhar.

Lilian Pacce para O Estado de S.Paulo

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