03.11.2009

Cecilia Dean está no Brasil – e o Blog LP já falou com ela!

Cecilia Dean está aqui no Brasil para a edição de 2009 do Pense Moda – e disso você já sabe. O Blog LP encontrou com ela hoje (03/11) pra saber um pouco do que ela pensa – sobre moda, mas também sobre outras coisas. Confira no que deu.

Você não tinha computadores e hoje têm os maiores nomes da moda como colegas de trabalho. Como foi criar a Visionaire?
Meu mote é: simplesmente faça a coisa. Não escreva um plano de negócios, não alugue um escritório chique, não faça nada disso. O mercado editorial antes era muito diferente: em primeiro lugar não existia e-mail, nem internet, nem Google – eu só fui comprar um celular em 2000! Em segundo lugar, não existiam essas publicações independentes, pequenas. Era só uma tal de Condé Nast e esse tipo de editora. E elas não tratavam os fotógrafos, por exemplo, como artistas. Nós, sim. Eu era modelo nos anos 80 e trabalhei com todos eles – de Mario Testino a Richard Avedon – e foi quando fiz meus contatos com a moda. Hoje tenho a oportunidade de trabalhar com eles de um jeito diferente. Em terceiro lugar, temos o formato de edições limitadas, que também mudou bastante. Se antes montávamos uma revista em 4 meses, tirando um de férias na sequência, hoje pensamos numa edição da Visionaire com até 3 anos de antecedência.

E você faz parte de todo o processo da criação de uma edição?
Eu sei de tudo o que acontece lá – somos contra cubículos para trabalhar!

Dizem que a qualidade da revista é proporcional ao seu preço (uma edição da Visionaire custa até US$ 250). É verdade?
É realmente caro produzir uma revista como essa. Funciona assim: quando tenho patrocinadores, o custo para o cliente final diminui.

Como é escolhido o tema de cada edição?
Temos sempre dez mil idéias sendo desenvolvidas. De repente, uma parece a mais certa para o momento – depois do tema, pensamos num formato, na tecnologia que vamos empregar nele. Por exemplo, essa aqui é a nova edição da Visionaire [aponta para um aparelho eletrônico na mesa], que sai daqui a algumas semanas. É a edição “20.10”, em parceria com a Smart, que você pluga na tomada. Se trata de um calendário eletrônico, com 365 artistas escolhidos por 52 curadores. Pra falar a verdade, foi um jeito que encontramos de trabalhar com um monte de artistas na mesma edição.

Se você fosse fazer o “Brazil Issue”, o que teria dentro?
O Brasil é um tema ótimo, até porque nunca fizemos algo pensado em cima de uma localização específica. Colocaria Vik Muniz (que eu amo), Ernesto Neto (que já colocamos na “V Magazine” uma vez), Bebel Gilberto (que fez uma música pra nossa edição sonora) e Thiago Rocha Pitta (que é dos melhores vídeo artists que já vi). Também chamaria artistas de fora para retratar o Brasil do modo deles. Ah, e faria isso tudo num formato para ser visualizado em 3D.

Karl Lagerfeld disse uma vez que a Visionaire não é influenciada por ninguém e influencia todos. Concorda?
Fizemos o que tivemos vontade de fazer. As pessoas podem nos amar ou nos odiar.

E em que sentido você gostaria de influenciar os outros?
Fizemos edições como a do cheiro, a do paladar – e fiquei impressionada como me tornei mais sensível nesses sentidos depois de ver as revistas prontas. Acho que é mais ou menos isso que quero que aconteça com os outros, a cada edição. É que é fácil demais passar pela vida inteira sem ter consciência do que acontece em volta de você..

Me disseram que mais tarde você vai a uma churrascaria – porque pediu pra ir.
É. A carne dos Estados Unidos é nojenta e quando venho ao Brasil aproveito para comer um monte.

O que torna a carne daqui melhor que a de lá?
Os animais daqui são mais felizes, mais bem tratados. Dá pra perceber isso pelo gosto da carne!

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