Conversa sincera com Amir Slama

18.05.2009 - 14:40 Moda 3 comentários

Maihara Marjorie/DivulgaçãoAmir Slama e Alexandre Herchcovitch, o novo estilista da Rosa Chá

De 1993, ano de sua fundação, pra cá, a Rosa Chá de Amir Slama conquistou a posição de referência de moda praia no Brasil por investir em modelagem e novidade em um pedacinho de tecido tão pequeno – o biquíni. Amir agora anuncia sua saída da Rosa Chá – a coordenação de estilo vai ficar a cargo de Alexandre Herchcovitch. Desde a coleção primavera-verão 2007 a Rosa Chá transferiu o desfile de sua coleção feminina de SP para a semana de moda de NY; em junho do ano passado, houve uma tentativa de desfile de moda masculina no SPFW, que não vai se repetir na próxima edição do evento. A Sais, segunda marca da Rosa Chá, também fica nas mãos do grupo Marisol, que adquiriu 100% das marcas de Amir no final do ano passado.

O contrato de Amir vai até 30/06 e o desfile da Rosa Chá está previsto pra setembro em NY. As coleções de verão e alto-verão, inspiradas no universo da cantora Elza Soares, já estão prontas e sendo vendidas no atacado. Numa conversa sincera com o Blog LP, ele conta que nos últimos tempos o dia-a-dia fazia seu “estômago se retorcer”. Confira:

O que te levou a deixar a Rosa Chá?
O encerramento de uma fase e a busca por novos desafios. A consciência que adquiri ao longo de processo de ser um estilista empreendedor e não um estilista executivo.

Qual é o principal legado seu na moda praia brasileira?
A moda praia que ainda vou fazer…

Você tem investido cada vez mais na noite e agora acaba de sair da praia. Você está trocando o dia pela noite?
De modo algum! O convite pra participar do 3p4 aconteceu na ultima semana de agosto, quando o Rico Mansur me apresentou o projeto. O espaço estava praticamente pronto. Fui ver e me encantei… Pensei na possibilidade do meu filho participar, mas depois dele ir lá algumas vezes, sentiu que não tinha a ver com ele. Acabou ficando pra mim. De certa maneira é um revival do meu tempo de universidade, quando trabalhei de garçom e barman. O projeto me envolveu em um círculo de amizades sincero e forte num momento em que eu estava extremamente pra baixo. Me tirou de um universo em que estava todo encalacrado. Meu ambiente de trabalho diurno estava cercado de verdades colocadas que faziam meu estômago se contorcer.

E a Mokai?
O projeto da Mokai surgiu com o mesmo time do 3p4 e aceitei pelas mesmas razões. Acabei criando todos os uniformes [a Mokai aguarda alvará pra abrir suas portas – o clube vai funcionar na rua Augusta].

Explique as bases do contrato com a Marisol.
O contrato foi renegociado no decorrer do processo. À época da junção, quando fiz a venda inicial dos 75% da marca, a Marisol focaria na produção e logística, pontos fracos da marca que tinha, pelo histórico das marcas no Brasil e pela falta de investimentos, dificuldades nestes pontos. Eu ficaria centrado em produto e comunicação. Montamos a Rosa Chá Studio e iniciamos os trabalhos. No decorrer do processo, percebi que de fato tinha feito a venda da marca e não uma junção. Negociei, então, o restante da venda total da minha participação.

Como presidente da Abest, qual é sua opinião sobre a InBrands e Luminosidade assumirem as duas principais semanas de moda?
São novidades, em um país que tem uma cultura nova na área de moda – isso como presidente da Abest. Pessoalmente, sempre achei muito confuso duas semanas de moda consecutivas num país que ainda tem muito a fortalecer no negócio moda. Acho que sempre foi algo mais político do que funcional. Vislumbro a integração das duas semanas: o Rio três dias antes, lançando novos talentos (que o comprador internacional e o mundo buscam avidamente), colado em São Paulo com o atual formato.

Como funciona o estatuto da Abest? Você fica até quando?
Os estatutos da Abest prevêem um mandato de três anos. Tenho mais um ano e meio pra finalizar. Estamos em um processo muito interessante. Hoje contamos com a figura de um CEO, estamos focados na estruturação da associação que em 4 anos passou de 4 para quase que 60 associados.

Como você vê o Rio Summer e a nova direção de Eloysa Simão?
Vejo como mais política… Mas o conceito do Rio Summer como um evento de alto verão é importantíssimo. Acho que deveria levar mais em conta o mercado interno, onde temos praticamente 8 meses de verão que são supridos apenas com os lançamentos de junho.

O que te cansa na moda?
A mediocridade e a falta de humildade de alguns colegas.

E a marca Amir Slama?
É um projeto que estou pensando em desenvolver em breve, com tranquilidade, sem pressa.

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Comentários (3)

  • Tomas Lendt disse:

    Gosto muito do trabalho do Amir e do que ele criou. Estas empresas que estão adquirindo marcas mostram um enorme despreparo. Com certeza eles tem a expertise industrial, mas não entedem nada do negocio da moda.

    Conselho: “grupos” , coloquem um verdadeiro executivo de moda no seu conselho administrativo.

  • Renato disse:

    Excelente entrevista! O processo de vendas das empresas no Brasil tá sendo muito mal conduzido

  • [...] boas pistas foram dadas pelas duas entrevistas com os estilistas no “blog” da Lilian. Alexandre explicando de maneira difícil de entender como conseguiu ser contratado por um grupo aparentemente rival. [...]

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