Tendências de verão em 1997

03.07.1997 - 16:23 Moda Tendências comente!

Algumas imagens fortes surgiram na temporada de desfiles internacionais, em março passado. John Galliano ambientou seu desfile em meio a pirâmides e areias do Egito e look Cleópatra (colocando a franjinha na cena fashion). A italiana Prada, como sempre, dispensou cenários, mas por sua passarela clean desfilaram musselines transparentes, enriquecidas por bordados de cristal, coordenadas ora com vestes masculinas, quase militares, ora com casacos tipo moletom. Já a Gucci, desenhada pelo americano Tom Ford, investiu na transposição dos anos 80 para os anos 90, tendo a volta das ombreiras como estandarte. Tudo com muito salto agulha e bico fino.

Aqui, a próxima primavera-verão não vai ser diferente. Essas são as influências que vão dominar a temporada. As camisolinhas viram vestidos transparentes, que podem ser usados ao natural, sobrepostos ou com body e tops tipo aeróbica. O estilista Alexandre Herchcovitch joga suas fichas nas geometrias e na mistura de peças esportivas: “Gosto da idéia de usar um top ciclista, por exemplo, sob um vestido de musseline de seda pura, mais solto, com boa modelagem e bom acabamento”, diz. Outra proposta de Herchcovitch é a sobreposição de tecidos bicolores listrados, com transparência, criando uma terceira estampa. As assimetrias – outra tendência – surgem através de pences ou pregas. Amarelo e branco são as cores de sua coleção, que usa ainda preto, bege, azul-claro. Nos pés, nada de sapato bico fino. Junto com a Rider, Herchcovitch desenvolveu um tênis-chinelo composto por solado alto de borracha e uma espécie de meia de neoprene fechada por tiras de velcro.

Reinaldo Lourenço prefere algo mais futurista com toques punk-românticos. O peixe é o símbolo de seu verão, em mais de dez versões entre estampas de silicone e bordados de linha. Da carpa inteira às escamas e espinhas, essas imagens são trabalhadas de maneira supergráfica, segundo o estilista. Natação e surfe são os esportes que influenciam seus tops e decotes de vestidos, em tecidos que variam da lycra (com muito drapeado) e bistretch à musseline gonflê, nas cores branco, prata, preto, pele, marinho e vermelho.

“Os Dez Mandamentos”, “O Manto Sagrado” e até o “Hércules” da Disney são os filmes que fazem a cabeça da estilista Gloria Coelho, da grife G, para o verão. Seus tops e vestidos assimétricos de jérsei, de uma manga só, trazem estampas de asas egípcias, anjo da guarda (desenvolvida pelo artista plástico Paulo von Poser), tatuagem de Janis Joplin e índio do Xingu, segundo foto de Maureen Bisiliat. Para Gloria, o verão é de vestidos confortáveis – muito curto ou pelo joelho. Preto e tons escuros para quem vive a correria da cidade grande e não tem tempo para trocar a roupa no final do dia. Ou uma gama mais luminosa, com tons de areia, amarelo, metais e verde, para quem pode ir-e-vir sem se estressar.

A Viva Vida procura fazer um mix de etnias (China principalmente), romantismo e muita sensualidade. “Estamos menos clássicos”, avisa Zelana Davidsohn, estilista e sócia da marca. Segundo ela, as transparências e um ar lânguido permeiam toda a coleção, com peças de malha de fio metalizado, jérsei de vários pesos, lã fria e tencel. Blazers marcam mais o ombro e menos a cintura, com microssaias ou calças mais retas, bem masculinas. A novidade é a coleção activewear, um linha completa de peças confortáveis para a prática de esporte.

Lilian Pacce

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