O universo de Arnaldo Baptista através das telas

21.03.2012 - 18:00 Portfolio 2 comentários

Gustavo Neto

Gustavo Neto
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A tela que foi usada no cartaz de "Lentes Magnéticas", a 1ª exposição individual de Arnaldo Dias Baptista

Aos 16 anos Arnaldo Dias Baptista sentiu pela 1ª vez a necessidade de se expressar através de um desenho. “Peguei um caderno e comecei a fazer uns sketches. Automóveis, aviões, navios, corpos e até coisas abstratas que vinham da astrofísica, uma galáxia”. Na época ele já tocava numa banda com o irmão, Cláudio, 2 anos antes de formar o grupo que lhe traria fama mundial, os Mutantes. Foi a partir dali, e depois com o disco solo “Lóki?“, que ele virou uma espécie de mito na área musical, com fãs como David Byrne, Sean Lennon e Kurt Cobain.

Mas apesar de ser celebrado musicalmente, seu empenho nas artes plásticas é pouco conhecido. “Tenho a impressão que uns 30% (dos fãs) no máximo sabem disso, através de capas de CDs, LPs”, observa ele em entrevista ao Blog LP. Arnaldo começou com desenhos de nanquim em papel, foi introduzindo aquarela e depois passou pras telas com óleo e acrílica, até misturar tudo. “Depois dou um toque mais abstrato, mais amplo, com cores e movimento“. E tem também as telas que levam sucatas, como a correira de comando de carro, que “deu um efeito interessante, ficou parecendo uma espécie de rosto no quadro”.

Tratando-se dele, é impossível não pensar na diferença de se expressar em acordes ou pinceladas. “É interessante isso: o limite de cada uma das artes. A música depende muito do instrumento em si. Já na pintura quando você tem um pincel e uma tela na mão, você tem o mesmo que qualquer artista plástico teria… Rafael, Michelangelo, Da Vinci. Na música é diferente, depende se você toca uma Gibson, um órgão, o que for. Eu faço uma conexão entre os 2 com esse limite que se estende até uma grande angular dessas limitações”.

A conexão pode ser muito subjetiva ou mais clara, como é o caso da tela “Eixo“, que resultou num rosto que mescla feminino e masculino por causa, segundo Arnaldo, do rock progressivo de Emerson, Lake & Palmer, com seus contrastes que vão do clássico ao jazz. “Meu ateliê é próximo do som. Quando quero algo mais abstrato ouço Yes; se é pra ser romântico isso vem de Chopin ou Rod Stewart“.

Faz tempo que ele mostrou suas obras “numa pizzaria, uma coisa muito próxima do caos, a utopia”, e agora Arnaldo ganha a 1ª grande exposição dedicada ao seu trabalho plástico, na galeria Emma Thomas, em SP, com curadoria de Juliana Freire. São 120 obras que ficam expostas por lá de 24/03 a 20/04, e que em 2013 viram um catálogo superdetalhado abraçando toda a produção do artista. “Estou me aventurando no sentido onde posso me revelar ou não. Vou esperar ansiosamente pelo resultado dessa exposição”. O burburinho já está armado – e aí na galeria você tem uma prévia do que vai estar por lá. Imperdível!

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